
há muito tempo não se via um show “interessante e chamativo” na cena do hardcore melódico/emo/punk pop da cidade. o último grande evento que deixou esse público de cabelo em pé foi o lançamento do cd mais recente do fresno em recife, ocorrido em outubro passado. mas o grande foco hoje não era nenhuma banda de fora e sim a pernambucana funpark.por mais carioca que eles possam parecer/soar, são eles febre na nova cena recifense e foram eles também que representaram a nossa cultura em turnê pelo rio de janeiro nessas últimas férias. então, como esse era o show da volta dessa turnê que, pelas palavras de pessoas relacionadas ao grupo, foi “a viagem dos sonhos”; resolvi pagar os dez reais de ingresso, ir ao armazém 14 e conferir a volta da funpark

cheguei por volta das 21 horas ao local do evento e não vi muita gente, fato que me deixou bastante preocupado. “será que vai ser roubada? ah, vou deixar a primeira banda rolar pra ver se vai dar gente”… e foi por isso que perdi o show da martinez.
como acompanhei o repertório do lado de fora e conheço os integrantes de projetos anteriores, acredito que o show foi bem pop/baladinhas de malhação. senti uma grande influência da banda carioca ramirez no tipo de som que eles fazem, e até mesmo no nome da banda, acredita? mas eu não presenciei o show e muito menos conversei com os integrantes, encerrando por aqui qualquer tipo de previsão sobre o show. é melhor, né?

se a martinez é o “ramirez do recife”, o mormaço é o “moptop de olinda”. e nesse moptop aí tem uma pitada de libertines, de los hermanos, de forgotten boys, ramones e tem muito sotaque nordestino. tem também cover do ave sangria, que é o período paleolítico do rock pernambucano, o que faz o sotaque ficar mais forte ainda! mormaço é o calor do meio dia, é rrrrock; é agoniado, suado que só a bexiga… não é banda pra tocar nas matinês de classe média alta da spirit não! é banda pra dividir a noite com vamoz! na rua da moeda, no meio da chuva, e deixar todo mundo pingando e pulando, morrendo de sede.
essa banda é formada por gabriel josé e wilson durand, da extinta vende-se (do tempo em que o emo de recife era porão gb e day after e a funpark da época era devônia charlotte) e hamiltinho e tomaz, que trouxeram uma influência mais bêbada e arrumadinha ao hardcore das antigas e transformaram o barulho todo em evolução, em novidade. as músicas que mais chamaram atenção foram “êxito” e “noite” (do ep que até agora só saiu pra imprensa, e eu tenho, modéstia a parte!); uma nova, sem título, de gabriel e o hit “queria ter o prazer”. e no meio desse rock todo ainda teve uma bronca pesada pro meu lado. gabriel falou, lá do palco, diretinho pra mim: “- e aí, bruno negaum, vai resenhar isso aqui, né?!”. relaxa, cara! demorou um pouquinho, mas tá aqui!

o show da fillen, que veio em seguida, só confirmou o fato de que é muito rápida a maneira como esse público, essa galera que vai aos shows, segue uma modinha e esquece do passado muito, mas muito rápido! várias bandas já estiveram no topo, lotando seus shows e enriquecendo o ego com comentários elogiosos em comunidades do orkut, fotologs e nicks de msn: porão gb, iupi, terceira edição… e até mesmo a própria fillen!
não tenho intimidade com o repertório dos caras, acho que por preguiça, e hoje eu nem sei o porquê disso, gosto tanto do som que a banda faz e ficava tão impressionado com os shows que eles faziam no passado… tolice minha! mas o que eu vi sexta foi uma banda meio “frustrada” com a reação dos espectadores. as mesmas músicas de antes, mas com muito mais peso do que o normal, o mesmo violino de fox, e até mesmo o vocalista renan tocando alfaia pra animar a galera e nada! “o que aconteceu aqui, bicho?” foi o que eu me perguntei durante o show, tentando prestar atenção nas letras, porque a execução das músicas estava (quase) impecável. parabéns pros caras, o show foi arretado, mas acredito que o público não entendeu/absorveu essa nova fillen.

e o show mais esperado da noite veio, de surpresa, como o penúltimo! acredito que essa decisão surgiu do fato de que os fãs da funpark ainda são menores, estudam, e precisam ir pra casa cedo para não deixarem os pais arrancando os cabelos de raiva.
minha expectativa quanto a esse show era grande, pois tinha como modelo a volta da iupi de são paulo, anos atrás. eu lembro que a banda voltou extremamente profissional, parecia que eles iam estourar no país inteiro, pelo menos essa era a vibração, o clima do show. com funpark foi quase a mesma coisa… por que “quase”? sempre existiu um grande preconceito pelo fato deles apoiarem uma proposta bem parecida com a do forfun, que é de tocar pra se divertir de bermudinha, bonezinho, sotaque carioca, praia, mulherada, cervejada e muito reggae e “good vibrations” de jah. eu sempre fui contra, achava imitação mesmo, mas hoje enxergo tudo isso com outros olhos. a proposta é bem parecida sim, mas ela tem personalidade. dá pra ver que lucas (que é o vocalista mais gente boa do mundo, apesar de sumir do nada sempre e não volta pra falar contigo nunca mais!) e companhia botam sangue, suam pra que esse projeto dê certo. e funpark é, acima de tudo, profissional.
o show é detalhadamente pensado! tem “hora da dancinha”, tem reggaezinho, tem bolhinhas de sabão, árvores, samplers com bases de música eletrônica, logotipo da banda como pano de fundo e um cuidado no visual dos garotos. funpark é arretado, minha gente, deixem de frescura! mas no meio de toda essa babação, confesso que não gosto da música que eles fazem. é gosto musical mesmo! não é ruim, mas não viajo nesse mundo tão “colorido e legal” que as músicas apresentam, e até acho que o problema sou eu. cresci rápido demais…

ao lado de funpark e terceira edição, a fabulla divide as atenções e os elogios da massa. fabulla é bom sim, é um conjunto com o maior bom gosto musical, e é legal gostar de fabulla porque é virtuoso, é excêntrico e a voz de joão é uma das coisas mais gostosas para se deliciar; fora que o, agora, quinteto (uma das três guitarras sumiu) evolue a cada apresentação. mas decidi que não vou mais a um show deles! por que, negaum? me sinto muito fraco musicalmente, leigo, muito burro, sem talento, vendido, egoísta… enfim, eu me sinto frustrado, e penso em desistir da música e nunca mais falar com eles de tão bons que eles são, juntos e, ao vivo.
ér… o show não foi animado como o da funpark, mas não tinha ali um cristão distraído. a iluminação, o som, o repertório, tudo prendia a atenção de quem via, e isso me fez acreditar que fabulla também é outra banda que precisa sair dessa “brodagem” para expandir seus horizontes. “a borboleta e o grilo”, “canções aos montes”, “o alquimista”… essas músicas funcionariam perfeitamente no palco do teatro da ufpe em pleno “no ar: coquetel molotov 2007”. que jarmeson ou aninha leiam este textinho e escutem esses meninos! se eles forem tocar lá, eu vou, digo logo!
resumo: apesar de ter ficado decepcionado ao descobrir que a produção do evento era exatamente quem botava todas essas bandas pra trás, curti o show sim. as bandas não demoraram a subir ao palco; todas as bandas, graças a deus, ganharam cachê e a estrutura tava bem parecida com o normal. não tinha muito do que reclamar… e espero que seja assim daqui pra frente, né? porque as bandas só crescem com isso, e o público também!mormaço e fabulla se apresentaram melhor nessa noite, pra mim, mas ainda acredito que o grupo olindense levou a melhor por ser a grande novidade.
- links:
martinez -> fotolog e myspace;
mormaço -> fotolog e myspace;
fillen -> fotolog;
funpark -> fotolog e tramavirtual;
fabulla -> fotolog e myspace.
