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capítulo 1: conversa de botas batidas – matéria inédita! (vivameumundo.com)

15, novembro

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– 02:38 da madrugada.
em frente ao computador não existe nenhum pingo de sono, fome e alguns graus de febre adquiridos num final de semana embaixo da chuva estão me deixando meio mole.

fico pensando em como escrever esta revista é um trabalho maravilhoso, mas bastante árduo. não sei nem quantas noites virei pesquisando, lendo e escrevendo artigos… tiveram momentos onde eu não conseguia escrever uma só palavra! nessas horas, sempre acabava jogando ” super mario rpg” no super nintendo e apelando pra um cdzinho. é verdade, esses cds foram e são a salvação de todas as noites. e recentemente eu ando ouvindo uma banda que foi essencial para despertar essa minha paixão por música.

los hermanos nasceu em 97, quando eu ainda estava ouvindo muito backstreet boys e o sonho da minha vida era casar com a milly de chiquititas (fernanda de souza, por quem ainda sou apaixonado até hoje!). o grupo, formado por universitários, fazia hardcore melódico e flertava com o pop, world music e…”

pára! pára… pára de novo! todo mundo sabe como o los hermanos estourou nacionalmente com “anna julia” e mudou bruscamente a sua sonoridade (flertando com a mpb e o alternativo e soando com algo igual ao resultado de “silverchair + tortoise + chico buarque” …) de acordo com o lançamento dos discos “bloco do eu sozinho”, “ventura” e “4”. e o público; que foi acompanhando, crescendo, enlouquecendo e endeusando o grupo cada vez mais com o passar do tempo ficou de cabelos em pé (inclusive eu) com o comunicado oficial deixado pela banda em seu site anunciando que ia entrar de férias por “tempo indeterminado”.

– 03:47 da madrugada.
e quando as dúvidas apareceram…:
– mas por quê isso, droga?!
– “é um negócio muito exclusivista você fazer parte de uma banda. você não tem tempo para fazer outras coisas. você tem pouco tempo inclusive para ter amigos, por exemplo. por que você está sempre fora e tal. você tem pouco tempo para cuidar de qualquer coisa que seja da índole do cultivo. todas as suas relações são efêmeras. todos os seus dias, você começa e termina em outro lugar. e isso tem implicações na vida de cada um, de jeitos diferentes.” (marcelo camelo, para o drops 3.0 da mtv).
– e a banda acabou?
“recesso é recesso mesmo, é a definição do dicionário, no sentido estrito, sem eufemismo. a banda não acabou. embora pareça claro, também não posso deixar de perceber como assusta outra palavra que usamos na nota divulgada em nosso site: “indeterminado”. não é infinito, é indeterminado. agora é chegado o momento de parar um pouco, observar e tomar fôlego, para depois prosseguir. esta é a ordem das coisas, certo?” (bruno medina, para o g1).
– certo. mas o que esperar de vocês?
“agora só quero saber de descansar. foram 10 anos muito corridos. mas acredito que podemos voltar, sim. mas revelamos que será por tempo indeterminado para não termos justamente essa preocupação” (marcelo camelo, para o g1).

tá! deve ser complicado mesmo ter uma banda grande como a deles, tanto é que os caras só tiveram três meses de férias num período de dez anos! é injusto… e aí, no meio disso tudo, deve ter nego que perdeu aniversário da mãe, do pai, namorada e tudo isso é um inferno!

mas é triste pra mim também. falo isso abusando do direito de ser fã, e dos chatos. confesso que além de ser o meu grupo nacional favorito; os barbudos foram, durante muito tempo, a minha maior referência em composição, interpretação e até mesmo no meu jeito de vestir. e nas mais de dez apresentações que presenciei (só aqui em recife!!!), eu vi e vivi de tudo: cenas de amor dignas dos maiores romances hollywoodianos, brigas intensas, depressões profundas, sentimento de culpa por ter fugido de casa só por causa do show, realização por fotografá-los de perto no abril pro rock, furtos de carteira e celulares pisados e melados de lama, apertadas na bunda e muito mais…

liberdade e amor. eram esses os sentimentos que transbordavam em seus shows. várias pessoas, unidas, experimentavam o gosto de cada sensação á cada canção, á cada nota, como uma procura pelo timbre ideal, a sintonia perfeita entre o mundo dos sonhos e a realidade… e desabavam em lágrimas, enfrentavam os seus medos e davam um beijo na pessoa amada que nunca nem soube disso, pulavam e cantavam de alegria ou simplesmente fechavam os olhos e sentiam as melodias, o naipe de metais, o coro aglomerado como se fosse uma só voz.
sempre que as luzes se apagavam, tirava o crachá e guardava a máquina fotográfica pra me entregar ao aperto que é a humilde multidão… e voltava extremamente suado, fedorento, mas numa paz tremenda! era gostoso, um escape muito melhor que um copo de skol…

e hoje o quarteto trilha sem aquele grande peso nas costas, cada um do seu modo, para um novo e desconhecido caminho… marcelo camelo participa de shows de grandes músicos como marcos valle e sandy & júnior (participação essa que está registrada no dvd “acústico mtv” da dupla…); rodrigo amarante canta na orquestra imperial e na faixa “rosa”, do novo cd do gringo/hippie/doidão devendra banhart; bruno medina continua na carreira de publicitário e blogueiro; e rodrigo barba quebra tudo com a banda de hardcore jason. para esses quatro amigos, toda a sorte do mundo… e para mim; só as lamentações, nostalgia e esperança de viver, num futuro próximo, momentos tão bons como os de antigamente.

– 04:52 da madrugada.
caramba, cara! já são quase cinco da matina, tenho que ir dormir! o céu já está clareando, o super mario está dormindo pra recompor as energias e seguir sua jornada para derrotar bowser e salvar a princesa em mushroom kingdom e o cd está repetindo, pela quarta vez, a melhor faixa do “ventura”. vou aproveitar a deixa e dormir…

…ao som de “conversas de botar batidas“. boa noite!

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